1.º de Maio first




«O 1.º de Maio é também dia de reflexão global: momento para lembrar o que se conquistou e pretexto para construir pontes entre trabalhadores, assim como entre estes e administrações de empresas.

Num artigo publicado no rescaldo do Movimento por Justiça Global de final do século XX/início do século XXI (ver Journal of World-Systems Research, vol. 10, n.º1) Lesley Wood reportava-se ao papel dos eventos públicos designados “dias de ação global”: comícios, marchas, teatros de rua, ações de desobediência civil, distribuição pública de panfletos, etc. Não sendo uma novidade, os dias de ação global clamam por mais democracia e justiça social em diferentes domínios, denunciando sobretudo governos, bancos ou multinacionais num quadro de acentuada globalização económica.
Aproxima-se um dos mais emblemáticos dias de ação global: o 1.º de Maio. Instituído em 1889, no quadro da Segunda Internacional Operária, o 1.º de Maio veio homenagear as vítimas do grande protesto de trabalhadores do centro industrial de Chicago que em 1886 lutavam pela redução do horário de trabalho diário das 13 horas para as oito horas. Mas o 1.º de Maio reúne muitos outros desafios que reclamam redobrada atenção: o combate às desigualdades entre ricos e pobres, às disparidades salariais entre homens e mulheres, ao trabalho infantil, ao desemprego mundial, que se estima em 2018 poder aumentar em 2,7 milhões, abrangendo mais de 201 milhões de pessoas, etc. (vejam-se os recentes Global Wage Report e World Employment and Social Outlook da OIT).»(…)


Hermes Augusto Costa, Público, 28 de Abril de 2017

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